terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Ponto para a Torre...



Lendo os artigos do blog “Diário da Sulanca”, sem querer, me deparei com uma matéria que deixa um gosto amargo na boca daqueles que sempre relegaram a segundo plano a questão cultural de nossa terra. Os verdadeiros responsáveis pela matéria.

“Lula inclui no PAC duplicação da Rodovia do Jeans, a pedido do governador” essa é a manchete de hoje (sexta-feira 19) do site PE360GRAUS da Rede Globo.”

Uma cidade com o poderio econômico que temos sempre se deixando passar à frente pelos mais espertos. É um sentimento parecido com o de um artista que é roubado em sua autoria...

Mas é muito claro que isso é apenas uma questão de interesses (ou a falta deles) econômicos, políticos e de marketing. A campanha de desvalorização da palavra "Sulanca" que se faz ao longo dos anos só poderia resultar nisso... Talvez, alguns empresários de nossa terra tenham achado isso muito bom, até porque a Rodovia da Sulanca não agregaria valor, pelo contrário...

Enquanto os indecisos discutem em vão, quem decide é o que dá "status". O que temos de original e de mais significativo culturalmente sempre foi visto como ruim ou pobre, então, sendo assim, elegeram uma palavra estrangeira (e pior, que previlegia a divulgação de Toritama) para dar nome a uma estrada “aberta” por nós.

Enquanto não nos voltarmos para nossos próprios valores, enquanto o que temos de realmente nosso não for colocado em seu devido patamar, o importado sempre prevalecerá e o que é nosso será realmente legitimado como pobre e ruim.

Se ao invés de discutirmos se o termo Sulanca é perjorativo, estivéssemos divulgando-o com qualidade e como símbolo de qualidade a realidade seria outra. É o que os Estados Unidos fizeram com os termos “Jeans” e “status” e nós legitimamos (apesar de seus símbolos hoje estarem indo “por água a baixo”).

Mas enquanto fecharmos os olhos para nós mesmos, evitando os espelhos e sem tentarmos corrigir falhas enraizadas e que hoje já passam despercebidas, como a falta de aproveitamento dos nossos elementos culturais como base para criação de nossa identidade e elevação de nossa própria auto-estima, valorizando nós mesmos e o que é nosso, enquanto importarmos e adotarmos qualquer termo como um símbolo nosso, a colonização continuará mantendo nossos olhos sempre fechados e nossos “direitos autorais” sempre surrupiados pelos mais espertos e ficaremos sempre chupando o dedo.

E como a matéria que li conclui: “...talvez falte vontade política nos nossos representantes, e diante dessa ociosidade, Toritama se aproveitou e ganhou pra si própria o direito de batizar a rodovia...”

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Cá, com meus botões...


O futuro de nossas cidades, proposto por seus dirigentes, quase sempre são decisões tomadas unilateralmente, já que a população não questiona e nem cobra posições e projetos; isso em parte se deve ao fato da grande maioria da população não ter subsídios intelectuais, históricos e culturais para formular esses questionamentos. Nossas escolas, há muito não formam cidadãos comprometidos com a coletividade, organizados e conscientes de seus deveres e direitos, cientes de sua identidade, de sua força e de sua voz.

Sabemos que a educação e a cultura são as grandes responsáveis pela voz dessa “...massa, que passa nos projetos do futuro...”. Sem essas duas ferramentas básicas, seremos sempre mudos, surdos e cegos. É por isso que as tomadas de decisões e as iniciativas acerca do desenvolvimento desses setores são sempre empurradas com a barriga, proteladas. Os espaços são sempre cerceados, os equipamentos sucateados, os agentes desestimulados, enfim, as coisas vão se arrastando a passos de tartaruga.

Um dos primeiros passos para a tomada de consciência de nossos direitos de cidadãos, da força que tem a identidade e a cultura de um povo é o conhecimento de nossa realidade, de nossas potencialidades e de nosso passado, nossa história e memória. A implementação desse conhecimento deveria ser uma iniciativa das escolas, como é recomendação do Ministério da Educação e Cultura. O ensino da história local é uma obrigação das Secretarias de Educação, Cultura e Esportes Municipais, porém essa não é a nossa realidade. Nossa memória está se esvaindo...

Preocupado com essa realidade é que o Instituto Pernambucano de História, Arte, Cultura e Cidadania – IPHACC, sempre direcionou suas ações para o registro de nossa memória e a preservação da nossa história. Assim inicia mais uma jornada em favor do fortalecimento da nossa identidade, mais um desafio aceito por Carlos Mosca e Ronaldo Nerys, dirigir mais uma obra audiovisual santacruzense. “Cá, com meus botões...” é o título do documentário de média-metragem que terá duração de 30 minutos, será captado em mídia digital e finalizado em formato DVD. Um registro audiovisual com depoimentos e arquivos/acervos fotográficos e videográficos públicos e privados.

O filme propõe uma viagem através da história que refletirá sobre as permanências e as mudanças sócio-culturais na cidade de Santa Cruz do Capibaribe, a partir do advento da Sulanca. Nossos costumes e nosso cotidiano antes e depois da Sulanca. A recepção de um passado recente, tendo por base a memória dos seus habitantes que, em sua dialética, protegem esse patrimônio material e imaterial santacruzense.

Acreditamos que o cinema não é só entretenimento, mas uma ferramenta sócio-cultural que se bem dirigida, tem o poder de mudar realidades individuais e coletivas, visto trazer na sua prática/teoria a observação do outro como matéria-prima da sua criação imagética. Acreditamos que se pode fomentar aos cidadãos, meios para que preservem, reflitam e planejem suas decisões, sobre seu patrimônio material e imaterial.

O município de Santa Cruz do Capibaribe tem história e memória e é através de trabalhos de registro e reflexão como o documentário que propomos, que se fortalece sua identidade e os laços afetivos que unem, não só os seus filhos naturais, mas também aqueles que encontraram aqui sua “terra-mãe adotiva” e seu lugar para viver.

O projeto está em fase de pré-produção, pesquisa e captação de recursos, entrará em produção durante os meses de dezembro de 2008 e março de 2009 e tem a previsão de estréia no mês de setembro de 2009 em Santa Cruz do Capibaribe e logo depois terá exibições em Recife/PE, Campina Grande/PB e João Pessoa/PB. Será inscrito em Festivais e Mostras no país e no exterior, bem como em programas de TVs educativas, a exemplo de sua produção anterior “Camelos do Ingá” que, lançado em agosto deste ano, já foi visto por grande público em Santa Cruz do Capibaribe, Campina Grande, João Pessoa e Rio de Janeiro, arrebatando prêmios e elogios do público e da crítica por onde passa.

Temos como objetivo a superação, sempre melhorar tecnicamente e levar o nome de nossa cidade com cada vez mais qualidade e cada vez mais longe. Pensando assim, esperamos contar com o apoio da população no tocante à liberação de arquivos/acervos pessoais para reprodução, como também contar com o apoio financeiro, como sempre, através de patrocínio das empresas que compactuam com esse nosso pensamento e que acreditam na nossa potencialidade.

Quaisquer informações ou esclarecimentos, favor contactar a produção através do email moscadesign@yahoo.com.br

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

DIA NACIONAL DA CULTURA


Em meu site de busca, se digito a palavra “cultura”, vou ter como resposta uma lista de sites. Se dermos um clic no primeiro deles, o link abre uma definição: “A palavra cultura abrange várias formas artísticas, mas define tudo aquilo que é produzido a partir da inteligência humana. Está presente desde os povos primitivos em seus costumes, sistemas, leis, religião, em suas artes, ciências, crenças, mitos, valores morais e tudo aquilo que compromete o sentir, o pensar e o agir das pessoas”.

Mais um clic e chegamos na Constituição “O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. (Cap 3 seção 2 art 215).

Impressionante, entristecedor, desconcertante e acima de tudo vergonhoso, a forma como é tratada a cultura na nossa cidade, ou destratada, parafraseando Gil em sua procissão “...entra ano e sai ano e nada vem, meu sertão continua ao Deus dará, mas se existe Jesus no firmamento, cá na terra isso tem que se acabar.”

Grandes são os anseios da população que quer ver algo de concreto acontecendo nas políticas públicas para a cultura da nossa cidade. Como lá na definição, “várias formas artísticas” precisam ser estimuladas, é muito simples, falta gestão e vontade política.

Leis que disponibilizam verbas Federais e Estaduais para incentivo a projetos culturais, deveriam já ter se refletido nas ações Municipais, além disso, também precisamos de nosso próprio fundo de incentivo, precisamos de nossas leis. Precisamos de foco, na aplicação do dinheiro público naquilo que realmente pode enriquecer culturalmente o nosso povo.

Chega de bancar as carreiras meteóricas de bandas que foram criadas especificamente para enriquecimento financeiro, estimulando o “beber, cair e levantar” com um trabalho musical e cultural completamente pobre, difundindo valores e visões de mundo distorcidas. Temos que repensar o que termos como atração e referência para nossa população, repensar o formato de nossas “festas”, e pensar mais na nossa cultura.

Chega de dilapidar o nosso patrimônio, precisamos de investimentos na nossa memória, de um espaço onde as pessoas possam preservar seus bens culturais com dignidade e respeito.

Uma das ferramentas mais eficazes na mudança social, intelectual e na qualidade de vida das pessoas é o estímulo a projetos culturais, milhares de exemplos estão aí dando frutos e transformando nossos jovens, sendo mostrados na mídia, porém não vemos essas iniciativas na nossa cidade. Continuamos lendo, vendo e ouvindo as reclamações acerca da violência, mas não vemos as ações além da repressão, o que gera mais violência ainda.

Assistimos já a um longo período de estagnação, de falta de interesse, de falta de atenção, de debate, de falta de ação mesmo, é como se a cultura fosse um assunto completamente fora da pauta para o poder público. É como se não existisse nenhuma responsabilidade no passo atrás que se dá ano após ano e nessa lacuna, essa página negra escrita na história cultural de nossa cidade.

Isso precisa mudar antes que cause mais prejuízo à nossa terra!

Hoje, no dia nacional da cultura, se Ângela Rorô fosse santacruzense ela cantaria assim: “Perdoai-os Pai, eles só sabem o que fazem...”

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Camelos do Ingá em Festival Internacional

Mais uma vez Santa Cruz do Capibaribe será representada num festival de cinema e desta feita, um festival internacional, o que nos alegra em dobro, pois além das exibições no Rio de Janeiro, o documentário “Camelos do Ingá” de Carlos Mosca e Ronaldo Nerys também será exibido na Índia. O documentário foi um dos filmes selecionados na 13ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico, que acontece no Rio de Janeiro de 11 a 19 de novembro de 2008.

A Mostra Internacional do Filme Etnográfico é um festival de cinema documentário, que se realiza desde 1993. O Festival tem como objetivo exibir na Mostra o que há de inédito em torno do chamado ‘documentário etnográfico’, sem abrir mão de fazer retrospectivas, selecionar clássicos do gênero em produções nacionais e internacionais, num amplo painel de filmes com debates, mesas redondas e seminários.

O cinema etnográfico traz a diversidade das culturas para a tela, nos fazendo refletir sobre a dinâmica da vida social, suas questões e temas. Trata-se de um olhar privilegiado para identidades culturais, singularidades da cultura de diversos povos, num mundo globalizado.
O festival tem uma proposta de informação e formação, apresentando não só filmes, mas organizando workshops e debates.

Estão presentes na Mostra, anualmente, os principais nomes da antropologia visual e do cinema documentário nacional e internacional.

Durante o festival realiza-se também o Fórum de Cinema e Antropologia, um conjunto de atividades voltadas para o debate e a reflexão de temas e questões dos dois campos. Vinculada aos mais importantes eventos que focalizam o filme etnográfico ao redor do mundo, a Mostra mantém contato com diretores de filmes, curadores de festivais e pesquisadores da área de antropologia visual.

O festival tem também a parceria do 1º Delhi International Ethnographic Film Festival, a ser realizado pelo Departamento de Sociologia da Delhi University, Índia em novembro de 2008, onde os filme selecionados aqui serão também automaticamente selecionados e exibidos lá.

Nesta edição a mostra recebe como participante oficial o curador do Festival Beeld voor Beeld da Holanda, Eddy Appels.

http://www.mostraetnografica.com.br

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

SULANCA SIM!


http://www.flickr.com/photos/estetica_da_periferia/944645775/

Um dos aspectos mais apaixonantes do ciberespaço é a instauração da comunicação de forma diferente das outras mídias, aqui as mensagens são interativas e transformam-se instantaneamente. Cada receptor torna-se também emissor, interferindo, discutindo, concordando ou discordando, mas explorando os temas, cada um, pelo seu ângulo de visão, acrescentando suas idéias nesse espaço aberto e de alcance mundial que vai se construindo com impressionante rapidez.

Os Blogs são uma das tantas ferramentas de ampliação desse espaço de opinião pessoal-universal compartilhada e é bem gostoso assistir a esse fenômeno, quando criamos o nosso e vemos os comentários postados exibindo os tentáculos dessa rede de informações. A partir desse espaço é possível se construir um apanhado de idéias, uma espécie de “enciclopédia” de autoria coletiva, sobre assuntos que não estão disponíveis nos sites sobre assuntos globalizados e de interesse do grande público. Podemos utilizar como exemplo, um link criado a partir de um comentário sobre um dos artigos desse Blog. “Estive em um evento realizado pela ASCAP e CDL com os candidatos a prefeito e uma pergunta feita aos dois políticos me chamou a atenção. “Você acha o termo sulanca pejorativo?” (Emanoel Glicério – Diário da Sulanca – domingo 19 de out de 2008).

Essa pergunta foi, o input para o nascimento desse artigo, exatamente, a gota d’água que faltava para acionar uma vontade latente de opinar sobre essa questão, independentemente de saber sobre os comentários que se sucederam à pergunta nesse referido evento ou qual seja a opinião do nosso povo sobre o tema.

A mim fica muito nítido o enorme contraste entre o desenvolvimento econômico e o cultural na nossa cidade. O surgimento do debate acerca da marca Sulanca é algo muito interessante, enriquecedor e até lucrativo, mas o que me faz ter essa opinião é o fato de se levantar a hipótese dessa nossa marca, de alguma maneira, desvalorizar nossos produtos, utilizando-se até esse termo perjorativo, no sentido da palavra mesmo! A questão é bastante outra, não é a marca Sulanca que nos desvaloriza, somos nós que a desvalorizamos com as nossas práticas.

O desinteresse pelo que é realmente nosso em detrimento do estrangeiro, do globalizado, do massificado, é algo já ultrapassado como ponto de partida para qualquer campanha publicitária sobre nosso produto, aqui ou em qualquer lugar do mundo. Nesse mundo que está à procura do singular, alguém achar que uma marca forte, de sonoridade ímpar, divulgada aos quatro ventos, de boca em boca por esse Brasil afora através dos seus bravos comerciantes “bandeirantes” que cruzaram o asfalto e os ares, desbravaram as grandes cidades trazendo do sul a nossa primeira estrangeira, a helanca, ou por milhares de estrangeiros clientes que nos visitam a cada feira, ou por nossa indústria empreendedora que se faz presente nos grandes eventos da área pelo mundo, enfim, já bastante conhecida, porém disfarçada de confecção, somente por ser uma palavra vinda da França, estrangeira como nossa cidade está se tornando. A palavra confecção, pelo uso, adquiriu o sinônimo de produto da indústria do vestuário, mas na verdade designa um processo, enquanto que nossa Sulanca já nasceu produto final. Vamos perder o medo de assumir nossa verdadeira e forte identidade santacruzense e bater no peito dizendo: Sulanca sim!

Eu acho até uma ofensa, uma falta de delicadeza, até um pouco de desprezo com aquilo que nos alimenta a tanto tempo, que faz com que nossas mais prósperas empresas possam se destacar e receber prêmios, que nos propicia tanta coisa “chique”.

Chique é ser único, como a Sulanca, apesar de nossas peças de “confecções” que levam essa marca, não serem tão únicas assim. A mudança tem que ser estrutural e cultural, temos que rever nossos métodos e imprimir a singularidade e autenticidade da marca Sulanca em nossos produtos, só assim poderemos reverter a auto-estima baixa dos nossos conterrâneos que acham nossa marca perjorativa.

Ela não traz em sua grafia letras estrangeiras, não é fashion, mas é um dos elementos mais fortes da nossa identidade que tem que ser visto e divulgado por outro prisma.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Patrimônio? De quem?

Hoje quero começar falando um pouco sobre o que significa a preservação do nosso patrimônio histórico, artístico e cultural.
Patrimônio Histórico é todo bem móvel, imóvel ou natural, material e imaterial, que possua valor significativo para uma sociedade, podendo ser estético, artístico, documental, científico, social, espiritual ou ecológico. Esses bens devem ser considerados de interesse relevante para a permanência e a identidade da cultura de um povo. São a nossa herança do passado, com que vivemos hoje, e que passamos às futuras gerações como documento de nosso modo de vida e das relações com nosso tempo e nosso meio.
Do patrimônio cultural fazem parte bens imóveis tais como igrejas, casas, praças, colégios, conjuntos urbanos, e ainda locais dotados de expressivo valor para a história, a arqueologia, a paleontologia e a ciência em geral. Nos bens móveis incluem-se, por exemplo, pinturas, esculturas e artesanato. Nos bens imateriais considera-se a literatura, a música, o folclore, a linguagem e os costumes.
Tratar desse tema nos leva a pensar na Constituição Brasileira, que traz em todos os seus títulos, dispositivos sobre cultura e, utiliza as técnicas de cooperação entre Município, Estado e União, implicando na necessidade do diálogo entre essas instituições, na elaboração de projetos e leis para que políticas públicas de preservação e fomento dos bens culturais sejam efetivamente desenvolvidas.
O reconhecimento e a proteção no nosso patrimônio é fator muito importante para que possamos refletir sobre as nossas origens e os costumes do passado e poder assim traçar-mos nossas metas futuras que poderão ser baseadas na extinção ou permanência de nossas práticas para a garantia da liberdade artística valorizando seu papel social. Essa consciência deveria ser a base da atuação dos poderes públicos e da fiscalização e cobrança dos direitos constitucionais pela nossa sociedade.
A arte, a memória coletiva e a transmissão dos nossos saberes e costumes são os três campos de atuação do poder público em relação à cultura, e formam o trio básico dos nossos bens culturais e que o poder público deveria proteger, apoiar, promover e garantir.
Queremos políticas públicas para a cultura na nossa cidade que reconheçam, respeitem e incluam a pluralidade das nossas manifestações, que executem as suas ações assegurando a participação dos nossos artistas e da população interessada em todo o processo de elaboração e desenvolvimento das mesmas.

Em Santa Cruz do Capibaribe, nosso patrimônio cultural é um dos assuntos mais ausentes nas políticas públicas municipais. Os nossos prédios históricos são demolidos, reconstruídos, remodelados ao bel prazer dos seus proprietários e ou gestores, sem nenhuma fiscalização, sem nenhuma responsabilidade para com as nossas gerações futuras.
Para citar apenas um exemplo de descaso com nossos bens culturais podemos nos lamentar com o fechamento e a depredação do prédio do Colégio Cenecista, antigo Ginásio Santa Cruz, fundado em 1956, nossa primeira “grande escola”, onde tínhamos, uma gruta de pedra, hoje é mais um canto esquecido, sem suas imagens originais e rodeada de lixo; Uma capela mobiliada com tudo que tinha direito, seu altar, bancos, imagens, lustres, etc, que hoje estão só na lembrança dos seus freqüentadores ou em algum lugar, ostentados como obras de arte particulares; Um telhado inglês que foi substituído por telhas sem nenhum valor arquitetônico e que passou muito tempo jogado num canto até que alguém desse um fim; A casa dos professores de tanto valor histórico quanto o prédio principal, derrubada para a construção de um prédio novo, que hoje abriga a secretaria de educação do município; Uma biblioteca que foi por muito tempo orgulho de seus estudantes e que hoje, foi esfacelada, divididos os livros que interessavam para quem se interessasse e o resto, coleções antigas, edições históricas com títulos de autores como Guimarães Rosa, Machado de Assis, Gilberto Freyre, entre tantos outros, jogados fora como num “munturo” para quem quisesse levar, apenas pelo preconceito com “coisas velhas”...
Até quando a nossa população vai fechar os olhos para tais monstruosidades?
Até quando vamos ver nossa história e memória se desmanchando no ar como se de nada valessem?
Fica a reflexão e o desejo de que muito em breve possamos falar de nossa cidade em outros termos.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Camelos no Jampa Vídeo Festival 2008


O SESC João Pessoa/PB abre suas portas de 14 a 17 de outubro para mais um festival nacional de cinema e vídeo, é o Jampa Vídeo Festival 2008. Foram selecionados para a mostra competitiva 43 filmes, dos estados da Paraíba, São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais e Paraná que serão exibidos em duas sessões diárias às 15:00 e às 20:00 horas no cine-teatro do SESC-Centro. Santa Cruz do Capibaribe se faz presente em várias produções, no documentário "Camelos do Ingá" de Carlos Mosca e Ronaldo Nerys e em mais 04 produções. Carlos Mosca assina a direção de arte dos também concorrentes "Amanda e Monick" documentário de André da Costa Pinto (documentário mais premiado do cinema brasileiro no ano de 2008, que também estará presente este mês no Goiania Mostra Curtas/GO e no festival de cinema de Nova Yorque/Estados Unidos), "Banzo Analítico" ficção de Taciano Valério e "As Bonecas de Davi" ficção de Ronaldo Nerys, além da participação de outra santacruzense, Rosilane Salazar, como atriz em "Metanóia" ficção de Ronaldo Nerys.
É muito importante a participação de nossas produções nesses eventos, pois não só nos alegra pelo reconhecimento do trabalho, que diga-se de passagem, não é fácil de ser desenvolvido com as condições técnicas precárias, devido à falta de leis de incentivo e fomento a produções locais, mas leva o nome de nossa terra cada vez mais adiante com dignidade e qualidade. Outro fator importante é a divulgação das nossas empresas apoiadoras, a única forma que temos de contrapartida à atenção dispensada por elas aos nossos projetos.
Gostaria de aproveitar a ocasião para divulgar o tema do nosso próximo documentário a ser realizado na cidade. "Nossos antigos carnavais". Acontecimento global que, em Santa Cruz do Capibaribe, foi se perdendo ao longo dos tempos e hoje não existe mais.
Gostaria também de fazer um apelo à população, no sentido de sensibilizá-la sobre a disponibilização de fotos antigas, ou imagens de vídeo para que possamos fazer cópias e realizar o documentário a contento. Um povo sem passado é um povo sem referências para a construção de sua identidade, efeito que se reflete na absorção das culturas de massa com tanta facilidade pelo nosso povo. Nossa memória está se perdendo, temos que fazer alguma coisa para barrar esse processo ou em pouco tempo não teremos mais como sermos santacruzenses de verdade, com raízes sólidas o suficiente para enfrentar os fortes processos de aculturação decorrentes da globalização. Vamos defender a nossa cultura antes que seja tarde demais!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

LAZER E CULTURA – Uma ferida aberta na nossa cidade

É impressionante o teor das discussões que encontramos nas comunidades do orkut de nossa cidade, a grande maioria dos tópicos trata de picuinhas políticas, outra grande parte fala das “festas”, das “bandas”, das cachaças, porém em meio a isso tudo encontramos muitas reclamações do tipo “Eu creio que todas as pessoas que moram aqui acham a mesma coisa, essa cidade tem muito pouco a oferecer em relação ao lazer.” (Eduardo). Reclamações de gente que vota, que paga seus impostos e que não vê o retorno deles nos vários setores da administração pública, até mesmo as que não reclamam e que inconscientemente preenchem seu ócio cultural com músicas da indústria de massa que só falam de cachaça e de sexo ou “tomando uma” nas mesas de bar, pagam seus impostos. E vale observar que a cerveja é uma mercadoria das mais tributadas e uma das mais consumidas na cidade.

Pois assim é, as pessoas reclamam de espaços para o lazer inexistentes na nossa cidade “concordo, tanto os jovens quanto os casais como os velhos
prescisam de diversão e aqui não tem nem uma praça.” (Marisdete) e tudo continua na mesma, se alguns quiserem esses direitos têm que investir neles, como é o caso das inúmeras praças construídas na cidade com investimento privado, assim como os calçamentos, etc.

Como sempre friso, nossa cidade tem um poder econômico muito forte, mas como muitos também reclamam “...Santa Cruz peca pela falta de visão (competência) dos seus empresários, administradores públicos e porque não, de sua população...” (Wallace Arruda). Eu chamo isso falta de responsabilidade social, uma das causas de enfraquecimento de empresas na atual conjuntura do nosso país, que hoje começa a cobrar seus direitos e que espero não demore a contagiar nosso povo. Nossos grandes empresários que financiam as campanhas políticas não cobram dos seus financiados um retorno desse investimento em ações e políticas públicas, eles querem apenas favorecimentos pessoais. O restante da população fica dividida entre seus funcionários, que na maioria dos casos, ainda não se libertaram dos cabrestos de seus patrões, e seus consumidores, que engolem tudo calados.

Ninguém cobra dos poderes públicos nas urnas e nem depois delas, quando estão eleitos os seus representantes, que não representam ninguém, a não ser a si próprios, tratando uma gestão pública como um “meio-de-vida”. Não temos quem defenda nossos valores culturais “É uma pena que nossa história esteja morrendo com os mais velhos e as novas gerações não dêem o devido valor e não resgatem e nem mantenham as raízes culturais dessa terra.” (Rozângela).

Nossos políticos não cumprem com o seu dever, talvez nem conheçam a nossa constituição que é clara em seus fundamentos, logo no primeiro capítulo quando os estabelece. A cidadania é o primeiro que é posto de lado, o poder que emana do povo, em nossa terra, é completamente desvirtuado. No segundo capítulo isso fica ainda mais claro “São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.” Aqui isso é uma utopia!

O poder público tem o dever e não é favor, como é a nossa realidade, de fazer cumprir o que lá está escrito “O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. (Cap 3 seção 2 art 215) e ainda mais “A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do poder público que conduzem à: I - defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro; II - produção, promoção e difusão de bens culturais; III - formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões; IV - democratização do acesso aos bens de cultura; V - valorização da diversidade étnica e regional." (Emenda nº 48).

Alguém já procurou saber quais são os recursos que temos destinado à cultura na nossa cidade e onde e como eles são aplicados? Talvez não tenhamos tempo a perder com isso, a sulanca não deixa brechas! Porém as brechas da população na fiscalização da gestão desses recursos e na cobrança de transparência e eficiência é que faça com que nossa realidade seja exatamente essa que estamos vivendo.

Pra finalizar, tenho muita esperança que essas pessoas que reclamam no orkut cheguem ao ápice de sua indignação e organizem-se em torno dessa causa, antes que seja tarde demais e não possamos mais salvar nosso patrimônio e ele se perca por descaso de todos. Como parece ser a vontade de nossos gestores públicos. Isso não pode e não deve ficar assim!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

É Bairrismo?

Indiscutivelmente existe alguma “força estranha” que provoca algo, mais estranho ainda, uma ligação muito forte das pessoas com o lugar onde nasceram, onde viveram seus anos de juventude, onde aprenderam os valores da vida e adquiriram suas primeiras impressões do mundo.

Alguns elementos visuais, sonoros, alguns sabores e cheiros, algumas lembranças guardadas apenas na memória, podem fazer esse link e nos conectar imediatamente com essa força estranha. Assim são os símbolos, as bandeiras, os brasões, os hinos...

Na nossa cidade, vivemos um tempo singular, onde a população que tem essa ligação com ela, está escasseando. O fenômeno “Sulanca” trouxe muito dinheiro e “desenvolvimento” para nossa terra e com eles também muita gente de outras terras. Hoje, a nossa população é formada na sua grande maioria por “forasteiros”, no melhor sentido da palavra, pessoas que “não são daqui, nem vieram pra ficar”, que não sentem, no fundo de si, essa emoção que sentimos quando alguém fala bem de nossa terra. Que, da mesma forma, não se sentem mal quando alguém tece comentários maldosos. Não têm nossa identidade, não têm compromisso emocional com nossa terra.

No hino de Santa Cruz, temos uma estrofe que fala da paisagem da cidade de uma forma tão bonita! Uma paisagem que deslumbrava, “...Com variado matiz...”, nossa cidade era “...do Capibaribe, a atalaia e esposa feliz...” mas o poder econômico, o poder de destruição das Riquezas em troca de “riquezas” em nome do desenvolvimento, sem sustentabilidade, sem respeito à natureza, à história e ao patrimônio coletivo acabou com nosso hino! essa “nova Santa Cruz” próspera e devastada esqueceu-se dos seus verdadeiros valores.

Os santacruzenses, santacruzenses mesmo, que aqui nasceram, em sua grande maioria se apóiam na desculpa de que, hoje estão “ricos” e que a cidade é boa assim como está. Às vezes nem fazem isso conscientemente, mas seus atos os denunciam. E esse comportamento é o que alimenta a cultura do medo, da defesa do patrimônio com “unhas e dentes”, da VIOLÊNCIA! As pessoas estão perdendo o sentimento de solidariedade, de amor, de vida em sociedade, de COLETIVO! “Se está bom pra mim, o resto que se exploda!”

Isso se reflete no dia-a-dia, na qualidade de vida da cidade, na poluição sonora (o som do meu carro é melhor do que o dos outros), na poluição visual (a placa da minha loja é maior do que a dos outros), na desorganização do trânsito (não quero nem saber, é proibido, mas eu dou uma propina para o guarda), na sujeira das ruas (ah! Joga aí mesmo, tem quem limpe), isso são só alguns exemplos que já passam despercebidos para a população, as pessoas já se acostumaram com os montinhos de entulho de construção nas praças, nas calçadascisternas, com as moscas, a poeira, o calor, as muriçocas, o fedor, os buracos, as ruas interditadas, o lixo...

Será que alguém já parou pra pensar porque está aqui? Para que veio ao mundo? O que significa a vida?

Será que é tanta vantagem assim, tirar vantagem de tudo, amealhar até o último vintém, estar sempre no carro mais novo, na casa maior e viver no caos? E continuar não dando olhos para a empáfia e falta de educação dos seus filhos, ao lixo que o redemoinho trouxe para a sua varanda, às ruas enlameadas no inverno e à poeira no verão, causando asma em tudo quanto é criança, à falta de um bom atendimento em quase todos os estabelecimentos da cidade, etc, etc, etc?

Quando será que vamos acordar, pelo menos para o nosso “progresso”, para a indústria e o comércio, para a nossa economia, trazendo qualidade para os nossos produtos, atenção ao consumidor (o código de defesa do consumidor na cidade não existe!), o atendimento, a qualificação dos funcionários, à imagem da cidade lá fora?

Fico muito triste quando escuto – e não é com pouca freqüência – que minha terra é a terra do desmando, a terra dos ladrões, se for pra feira vai ser assaltado, é muito perigoso, é sujo, não tem comida que preste, só tem gente mal educada, é muito barulhento, não tem informação, é roupa de má qualidade, etc, etc, etc...

Quando será que vamos acordar para a vida? Estamos aqui para viver e viver com qualidade e dignidade é o mínimo que poderíamos ter para viver bem. É o básico! Ninguém vive só o fim de semana, quando vai embora da cidade “servir de “paga a conta” e de chacota pra uns vizinhos da casa de praia e perturbar a paz de outros, que têm que se mudar de casa pra ter sossego!

Vamos viver todos os dias. Vamos investir em nós mesmos e na coletividade, vamos exigir educação e saúde de qualidade para nossos filhos, vamos enxergar nossas mazelas, tão simples de serem solucionadas, vamos lutar por nossos direitos e não bancar a festa pra quem só quer poder, às nossas custas, vamos pensar mais antes de votar, vamos ser mais cidadãos, nós podemos, somos fortes economicamente e culturalmente, vamos saber mais de nós mesmos. Vamos ser mais felizes e menos hipócritas!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

TEATRO


Grande Arnaldo Vitorino!
Faço questão de começar com elogios. Faço questão de elogiar o que deve ser elogiado. Parafraseando "Louvação".
Quem não viu vá ver o acervo do orkut dele...
Iniciativas como essa devem ser sempre elogiadas, sua página no orkut é um dos únicos espaços que temos para saber de coisas da nossa verdadeira história. Nossa "casa de memória", um sonho há muito acalentado pelo IPHACC - Instituto Pernambucano de História, Arte, Cultura e Cidadania, e por tantos santacruzenses que pretendem que seus filhos saibam alguma coisa de suas raízes, continua sonho! Nossos acervos históricos estão se perdendo, e se perderão até que alguém que esteja no poder, que é pago pra isso mas não o faz, tenha a vontade e a responsabilidade de assumir esse compromisso com a posição que ocupa e consigo mesmo - pois compromisso com nosso povo já vimos que eles nunca tiveram - e crie esse espaço tão necessário ao desenvolvimento cultural de nosso povo.
Comecei assim, como essas garotas da foto, com a vontade de me expressar e de fazer ver às outras pessoas o meu pensamento, o pensamento do meu grupo, o pensamento de um momento histórico (ironias do destino, deveria ter cursado história, talvez fosse mais fácil nas salas de aula), sem nem mesmo saber que era arte, mas com uma vontade imensa de fazê-lo. Queríamos apenas fazer... Foi com elas que tive o primeiro contato com o que hoje chamo de teatro, contato apenas como espectador, mas que marca o início da paixão pela arte. O primeiro texto "sério" que interpretei foi "Hora de dormir" de Fernando Sabino, era um dos textos do meu livro de português da 7ª Série, que meu professor Suiteberto se atreveu a dirigir e nos convidou a mim e a Fernando Amaral para interpretar, antes disso fazíamos apenas pequenos esquetes, com textos improvisados, nas datas comemorativas do Colégio Cenecista. Me afastei do teatro até acabar a universidade, sabia apenas das lutas por um espaço para o teatro santacruzense, que passou por um terreno público no final da Av. Padre Zuzinha, onde hoje fica a residência do Dr. Nanau, depois foi para outro, na Av. Braz de Lira, onde hoje fica a Praça da Paz, depois para a Av. 29 de Dezembro, onde hoje é o Supermercado Tibúrcio e acabou "nos fundos do Ypiranga", como muitos se referenciam ao informar onde fica o nosso "teatro". Enfim tivemos construída uma casa de espetáculos!
No ano 2000 quando imaginávamos que o mundo iria "se acabar" ganhamos um teatro. Na ocasião, Márcio Nunes, diretor da Cia. di Projectus Cênicos, me falava da necessidade de um teatro mais voltado para nossa cultura, da necessidade de textos com temas e linguagem nordestina. Me atrevi a escrever pela primeira vez uma peça. Pesquisei bastante os temas tratados nos folhetos de cordel e sua linguagem, métrica, rimas, etc. Surgiu então "Uma estória de trancoso - O causo do cantadô de cordé, que por astúcia do cão, arresolveu dá conta de suas duas mulé". Márcio montou e fomos muito felizes na primeira temporada de um espetáculo santacruzense, num teatro santacruzense, com texto santacruzense. Foram cinco sextas e cinco sábados de casa, senão lotada e com pessoas sentadas no chão, como foi a estréia e o encerramento da temporada, com um bom público. Depois veio a 1ª Mostra de Teatro Experimental de Santa Cruz do Capibaribe, um sucesso de crítica e de público, quatro dias de casa lotada, com textos e espetáculos criativos e temática variada: Pil Queiroz com sua "Crucifixão" espetáculo magistral e autoral (texto, direção, cenografia, figurino, interpretação); Ronaldo Nerys com "Médeia - de Eurípides - acorrentada" e uma brilhante atuação de Rosilane Salazar; Márcio Nunes e Pil Queiroz com fragmentos de textos de Guimarães Rosa e João Cabral de Melo Neto criaram "A terceira Margem do Rio e Uma Outra Estória" uma leitura dramatizada com um cenário esplendoroso onde Márcio se utilizou das bacias das lavadeiras do Rio Capibaribe cheias d'água, criando efeitos de luz inusitados; A Cia. Mais Caras de Teatro, de Fortaleza com um espetáculo de Clowns maravilhoso "Nada, Nenhuma e Ninguém; Ricardo com sua "Santa Maria Egipcíaca" e eu com "Eu os ridículos e os gênios de uma poesia".
A Cia de Márcio e sua trupe ainda tá aí na ativa, depois disso produziram, "Joca, Befa e Zeca"; "A bruxinha que era boa"; "O show do Thed"um e dois; "O Macaco Malandro"; "Depois do Café"; "Caritó é a Madrinha"; "A eleição" e tantas outras que não lembro agora, mas, porém, contudo, todavia, sempre produções de bom nível técnico e artístico. Além desses espetáculos, capitaneados por Márcio Nunes, tantos como Avani Lopes, Bethânia Aragão, Pil Queiroz, Rosilane Salazar, Márcia Feitosa, Lourdes e Estela Aragão, Aninha Silva, Jeanne Chagas, Ana Nunes, Sandra, Jorge Feitosa, Diógenes e outros que seria impossível lembrar todos, vale destacar também dois espetáculos que fizeram muito sucesso na nossa dramaturgia que foram "Brincar de Viver" e "O rio, a santa e a feira".
Pois é, nosso teatro sempre foi muito rico, embora tenha sempre sido feito aos "trancos e barrancos", quando tem apoio, geralmente é da iniciativa privada, pelo menos é o apoio mais relevante.
Nosso poder público, assim como no país inteiro, destina pouquíssimos recursos para a cultura e mais do que apoio financeiro, o teatro precisa de apoio logístico, infra-estrutura de qualidade, tratamento diferenciado. A arte exige isso para acontecer a contento.
Vivemos hoje uma realidade mórbida na nossa cidade. O teatro municipal serve muito mais para outras finalidades do que a principal, que é o teatro, como o próprio nome do espaço sugere. Muitos argumentos são utilizados como justificativa, a pouca produção, que por falta de incentivos tende a sucumbir, é um deles.
Nosso teatro nunca teve um diretor, suas leis de funcionamento não beneficiam os artistas, o espaço passa a maior parte do tempo ocioso (fechado, mofando) a renda nunca foi revertida para o benefício do mesmo, o palco nunca teve qualidade técnica para receber bons espetáculos (iluminação, piso, cortinas, tapadeiras e rotunda, altura para elevação de cenários, etc), a pauta é muito obscura, no sentido de estar vazia e poder ser ocupada preferencialmente por espetáculos de teatro... Enfim, é difícil querer fazer arte em Santa Cruz do Capibaribe!
Se for enumerar todos os fatores que desestimulam a produção teatral na cidade, teria que passar por questões políticas e até pessoais e isso não constrói. Porém nosso povo tem a vontade, o que faz com que tenhamos esperanças num futuro, que não vislumbro tão próximo, mas que podemos lutar para que se aproxime.
Quero com esse pequeno artigo, começar uma discussão acerca do fazer arte em nossa cidade. Gostaria muito da opinião e da colaboração de todos para que o assunto possa ser enriquecido coletivamente. Não sou dono da verdade, não sei tudo e nem lembro tudo. Poste seu comentário!